2.  O Brasil apresenta um cenário favorável, no momento, para a compra de imóveis?

Olá, noivinhas e noivinhos (pelo menos um noivinho, né, Fernando? Se tiver mais algum “bendito fruto” por aqui, essa é a deixa para se manifestar)! Hoje, vou dar seguimento àquele nosso bate-papo sobre a aquisição do primeiro imóvel, ok?

Isso me traz de volta às bolhas nos meus pés e à procura do apartamento (ou casa) dos meus sonhos… Seguindo aquelas três regrinhas do último post, com o Wagner (relembre aqui), nós decidimos que agora seria o momento ideal (Frio na barriga…)! Antes, nós tínhamos combinado esperar um pouquinho (quase seis anos, oops!) para garantir o mínimo de estabilidade profissional que pudesse financiar nossos sonhos, sem que isso nos custasse o que tínhamos de mais precioso: o nosso tempo juntos.

E eu não me arrependo de termos optado por isso. Ou melhor, não me arrependia, até ver a alavancada sem precedentes dos preços dos imóveis!!!  Em apenas um ano, eles subiram 43%, em total desproporção com a alta da inflação. Ou seja, o que o nosso rico dinheirinho podia comprar há um ano, hoje, já não pode mais… Pára tudo, que eu quero descer!!!


Bem, mas para darmos um tom positivo a essa sexta-feira super animada, antes que você se descabele, vou começar falando de flores

Nunca foi tão fácil conseguir um financiamento (pagar, já é outra história…). As condições mais estáveis da economia abriram caminho para a queda dos juros, o que facilitou a obtenção de financiamento imobiliário. Nesse cenário, os bancos privados, que antes evitavam investir no mercado imobiliário, quiseram garantir uma fatia do bolo também. Para vocês terem uma idéia, entre janeiro e 17 de fevereiro, os empréstimos da Caixa Econômica Federal cresceram 91%, ante igual período de 2009. Vale lembrar que, inclusive, com o alongamento dos prazos de financiamento para até 30 anos, o valor das prestações mensais passou a caber melhor no orçamento… 

Além disso, houve aumento do poder aquisitivo da população, refletido na ascensão de 30 milhões de brasileiros à classe C, a nova classe média do país. Daí, com um pouco mais de dinheiro no bolso, a galera se animou para encarar o financiamento da casa própria…

Ei, peraí? Então tá tudo uma maravilha!? Não… Quando a esmola é muita, o santo desconfia…

Existe uma oferta insuficiente de moradias. Apesar do aquecimento do mercado, o déficit habitacional se mantém elevado, entre 6 milhões e 8 milhões de unidades.

Ah, não me enrola e diz logo por que, então, os preços subiram tanto de uma hora pra outra?!!!

Aumento do poder aquisitivo + maior facilidade de obtenção de financiamentos = alta procura

Alta procura + Oferta insuficiente = Aumento do Preço

É a famosa Lei da Oferta e da Procura. Sabe como é, classe média… A gente gosta de estar junto, sempre cabe mais um… Já, 30 milhões de cabeças? A coisa muda de figura… Farinha é pouca, o meu pirão primeiro! Faltou moradia pra esse povo todo e os preços subiram…


E eu com isso? Quais são os riscos para mim, nisso tudo?

Para muitos especialistas, o país está em pleno boom imobiliário. Com isso, alguns espertinhos (se você está entre eles, meus respeitos… Mas, porque não me avisou antes?) aproveitaram o início dessa onda para comprar, quando o preço ainda estava razoável, só para vender mais caro, depois, e faturar algum.

Só que o problema, com o qual eles não contavam, é que grande parte desse aumento não é real, é especulativa. Isso significa que podem colocar o preço que for no imóvel, mas não há garantias de que algum comprador vá se habilitar para arcar com tanta gordura no preço. Em momentos de vacas magras, o povo faz dieta, amiga…

Peixes pequenos e peixes grandes

Agora, vamos combinar, esse comprador espertinho é peixe pequeno. No oceano do mar imobiliário existem as grandes construtoras, que estão apostando todas as suas fichas em vários novos empreendimentos e repassando para os consumidores os custos exorbitantes. E o que pode acontecer se o mercado se retrair, se a galera resolver segurar a carteira? Essas grandes empresas podem não ter fôlego para dar cabo aos projetos e aí, sim, o negócio pode ficar feio…  A única solução seria oferecer os imóveis a um preço mais baixo e, em certos casos, com perdas.

Peixes menores ainda

A mais longo prazo, existe o risco dos pequenos proprietários (peixes menores ainda; praticamente, sardinhas, como eu e você…). Esses peixinhos, se não estiverem preparados, mas ainda assim quiserem se aventurar no oceano, não respeitando o super aquecimento do mercado, correm o risco de não conseguirem honrar seus compromissos. Nesse caso, eles seriam forçados a oferecer seu imóvel por um preço bem inferior ao da compra.


Keep Calm and Carry On

Pelo menos, essa seria a visão mais apocalíptica do mais pessimista dos entendidos no assunto (credo…). Na verdade, há quem se alarme com alguns dados, ainda incipientes, que sugerem essa tendência. As vendas de residências novas, segundo o Secovi de São Paulo, caíram 21% de março para abril, em 2010. Nada mais natural, dado o aumento dos valores dos imóveis. Mas não devemos esquecer que, ainda assim, nos quatro primeiros meses desse ano, foram vendidas mais unidades do que em 2009 (72,4% a mais do que no mesmo período do ano anterior, o que não é pouca coisa).

Minhas pessoas, que fique claro: não se pode falar de uma crise imobiliária, no momento. No panic. Apenas, esses dados fazem soar um sinal de alarme, que se deve levar em conta. Como diziam nossas vovós: cuidado e caldo de galinha não fazem mal a ninguém… (Gente, isso aqui tá um zoológico!) Resumindo: em tempos de vacas magras, peixe pequeno toma cuidado e caldo de galinha…

Ou seja, viu aquela casa maravilhosa de três andares, ou aquele apartamento, na planta, dos sonhos? Segura o “tchan”… Pede pro noivo te amarrar na cadeira, na segurança do lar da Sra. sua mãe, ou na segurança daquele apartamento alugado… Mais do que nunca, essa é uma hora para usarmos mais a razão e menos a emoção. Devemos agir com mais frieza e menos impulso (Ai, me segurem!). Não estamos, por enquanto, diante de nenhuma crise, mas convém acompanhar, com atenção, a evolução do mercado imobiliário.

Pegando uma carona nos conselhos do consultor Mauro Halfeld, professor e especialista de investimentos: tudo o que sobe, desce. É a lei da gravidade… (essa segunda parte ele não disse, não… Também, não fui eu que inventei essa lei…).


Mas, afinal, então, devo esperar para comprar quando os preços caírem? Ou será que quando eu for comprar, os preços dos imóveis terão subido mais ainda e o meu modesto pé de meia vai acabar todo furado?

Amanhã, vou tentar responder a esse dilema, prometo, de coração…  Mas, por enquanto, diante desse cenário, só há um conselho seguro: muita calma nessa hora…

Àqueles que chegaram, bravamente, até aqui, ao final desse extenuante post, e não desfaleceram de sono, pedirei um último ato de coragem… Me dêem um sinal de vida, ok? Agora sim… Muito obrigada! Um ótimo fim-de-semana para todos…!

Fontes:

O Estado de S. Paulo. Alta de preços de imóveis exige cuidados especiais. Publicado em 23/06/2010.

Jornal da Tarde. Expansão e valorização do mercado imobiliário tornam mais atrativas as aplicações no setor, por Paulo Darcie. Publicado em 10/05/2010.


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PS: Queridos, tenho lido os comentários e fico super feliz com o carinho e com a participação de todos! Continuem participando! Amanhã, vou tentar responder um por um, tá? Essa semana foi “trash”, me desculpem… Bjks!

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