Por conta do novo filme argentino que estreou esta semana nas salas de cinemas do Rio – “Ninho Vazio” – resolvi explorar este tema por ser de grande relevância, principalmente para nós, mães, em vias de casar os filhos.
Para melhor entendimento, vou começar fazendo uso da seguinte historinha que pincei da internet:
“Era uma vez uma bela casa. nela moravam mulher, marido e três filhos. A bagunça era muito grande, pois as crianças e seus amiguinhos tinham energia demais. A mãe, sempre zelosa, cuidava atentamente dos queridos pestinhas, enquanto o marido trabalhava. Não era fácil dar conta de tudo, mas ela fazia aquilo com muito amor.
Mais tarde, na adolescência, as “crianças” mostraram que não eram mais crianças e começaram a causar conflitos. Chegavam de madrugada e até montaram uma banda na garagem. O pai pedia para que a mãe solucionasse os problemas cotidianos, pois a vida dele já era bastante dura durante o turno de trabalho.
Nessa época, a casa vivia cheia de gente, logo vieram as namoradas e os namorados, que mudavam de cara e de nome com o passar dos meses.
A vida corria assim: a mãe cuidava das roupas, da comida, dos remédios e de tudo mais; o pai tratava de botar dinheiro em casa e impor-se nas questões mais sérias.
No tempo certo, os dois filhos se casaram e a filha foi morar numa cidade maior, para cursar faculdade.
A casa, que antes era cheia de entra e sai e blá blá blá, agora reservava uma paz exagerada, um silêncio incômodo, por vezes melancólico … e foi assim que o ninho ficou vazio”.
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A Síndrome do Ninho Vazio não é uma doença física ou psíquica, não se trata de frescura, sequer é um vírus contagioso. Ela é sim, uma profunda tristeza que algumas mães e/ou pais enfrentam quando os filhos deixam o lar para estudar, trabalhar ou casar. Para as mulheres esta fase tende a ser mais difícil, principalmente para aquelas que não desenvolveram outro papel, senão o de mãe.
O ninho ficou vazio, mas a cama, na maioria das vezes, não. O marido continua lá, só que aposentado. A frase “enfim sós” que antes parecia um sonho, agora anuncia turbulências. O casal terá de reaprender a viver junto e a redescobrir os prazeres da vida a dois. Contudo, o momento que deveria ser encarado como uma possibilidade de reaproximação (já que o tempo que o casal compartilha melhora qualitativa e quantitativamente), pode se transformar numa verdadeira guerra.
Quando os filhos saem de casa, para o homem também não é fácil. Ele passa a temer que eles não se cuidem ou que não tomem os cuidados necessários para sua segurança. E o pior, percebe que já não é mais o super-herói e o ídolo deles.
Já que os filhos resolveram viver suas próprias vidas, é tempo de desfrutar do mais raro tesouro da modernidade: o tempo livre. E o que fazer com o repentino tempo livre? A saída é criar novos interesses, novos projetos como: atividades artísticas, físicas, intelectuais (fazer um blog como esse, por exemplo…rs), sociais ou culturais.

Com a saída dos filhos de casa, ocorre além da liberdade ampliada, a redução na carga de responsabilidades – a meu ver, fatos favoráveis.

Cabe aos filhos orientarem os pais nessa difícil etapa de suas vidas. Contudo, não devem deixar para procurar a mamãe e o papai apenas quando eles forem necessários e convenientes. É importante que os filhos visitem os pais espontaneamente, que os leve para almoçar, jantar ou simplesmente passear, que passem as datas comemorativas juntos e, em casos de casamento, estimular o convívio com sua nova família, (sem exagerar pra não criar confusão com o cônjuge, é claro!), além de incentivá-los em novas atividades, viu filhota? (hihi!)
Todo casal deve sobreviver à síndrome do ninho vazio. Passada a tristeza, normalmente vive uma segunda lua-de-mel, agora mais amadurecido e em melhor situação financeira. É hora de curtir e aproveitar um pouco mais a vida!
Entretanto, há casais que cedem à pressão e o divórcio é o passo natural. Outros, encaram as dificuldades como desafios e lutam afincadamente e alguns reconhecem que sozinhos não conseguirão resolver seus problemas e decidem pedir ajuda profissional.
Enfim e apesar de tudo, os filhos criam asas mesmo e precisam alçar voo. A gente tem é que só tomar consciência disso e torcer por eles!
Para quem quiser assistir, aí vai a ficha do filme em questão:
“Ninho Vazio” (El Nido Vacio; Argentina; 2008) – drama
Sinopse: A dura experiência de um casal quando o filho cresce e sai de casa. As rachaduras de um casamento entre um bem sucedido escritor e sua mulher hiper ativa, escondidas há anos por trás do caos diário.
Uma boa pedida para qualquer um, especialmente para aqueles que já têm filhos. Totalmente indicado para casais. Mas, cuidado! Algumas cotoveladas acompanhadas da fala “igual a você” podem ocorrer durante a projeção.